REFERÊNCIA: CALEGARI, D.R. GORLA, J.I. & CARMINATO, R.A. Handebol sobre Rodas. Anais do 9º CONBRACE - Porto Alegre, 2005. Disponível em: http://www.hcrbrasil.com.br/1095/2472.html Acessado em ___/___/___.
GTT 8 - Pessoas Portadoras de
Necessidades Especiais HANDEBOL SOBRE RODAS
Décio Roberto Calegari –
Mestre
deciorc@unipar.br José Irineu Gorla
- Doutor
gorla@unipar.br Ricardo Alexandre Carminato
Especialista
carminato@unipar.br Docentes do Curso de Educação Física da UNIPAR CAMPUS TOLEDO
RESUMO O objetivo deste estudo foi realizar uma pesquisa exploratória
sobre o Handebol para Cadeirantes, identificando se o mesmo está sendo
praticado e quais as regras utilizadas para esta prática. Verificou-se que em
âmbito nacional a prática acontece através de iniciativas isoladas, não
existindo uma regulamentação específica para a modalidade, sendo apresentadas
duas sugestões de regras para o desenvolvimento do Handebol sobre Rodas.
Palavras-Chave:
Handebol, Cadeira de Rodas, Esporte Adaptado.
ABSTRACT
The objective of this study was to carry through a exploratory research
on the Whellchair Handball, being identified if the same he is being practiced
and which the rules used for this practical. It was verified that in national
scope the practical one happens through isolated initiatives, not existing a specific
regulation for the modality, being presented two suggestions of rules for the
development of the Whellchair Handball.
Key-Words: handball, whellchair, suitable sport.
RESUMEN Este estudio tuvo como
objetivo realizar una investigación exploratória sobre la práctica de balonmano en cillas de ruedas, identificado si
lo están practicando y cuales son las reglas utilizadas para esto. Fue
verificado que en alcance nacional la práctica sucede con iniciativas aisladas,
no existiendo una regulación específica para la modalidad, siendo presentado
dos sugerencias de reglas para el desarrollo del balonmano en cillas de ruedas.
Palabras-Clave: balonmano, silla de ruedas, deporte para discapacitados.
INTRODUÇÃO
O objetivo deste estudo foi realizar uma pesquisa
exploratória sobre o Handebol para Cadeirantes identificando se o mesmo está
sendo praticado, quais as regras utilizadas para esta prática e as
possibilidades de intercâmbio.
O fato gerador deste interesse foi a vivência do autor
na modalidade, onde já exerceu as funções de atleta, árbitro, treinador e
dirigente e o prazer do desenvolvimento de trabalhos com Portadores de
Necessidades Especiais com a implantação do Projeto de Atividades Motoras
Adaptadas (Projeto AMA), junto ao Curso de Educação Física, idealizado pelo
Professor Doutor José Irineu Gorla e implantado pelos autores.
O presente estudo além de identificar as iniciativas
que já existem nesta modalidade pretende estabelecer parâmetros iniciais para a
inclusão da modalidade no Projeto AMA e a construção de referencial teórico e
técnico para implantação e evolução da modalidade no âmbito do Movimento
Paraolímpico Nacional e Internacional.
METODOLOGIA A estratégia inicial foi identificar na internet as
iniciativas que prevêem a utilização do Handebol adaptado para cadeirantes
utilizando-se de mecanismos de busca (Google, Yahoo, Cadê). Também foi
utilizado o quadro apresentado por ITANI (2004), para consulta as instituições
de desenvolvimento do paradesporto. Em âmbito nacional foram identificadas ações de
desenvolvimento de Handebol para a Terceira Idade nas cidades de Itajaí/SC,
Descalvado/SP e na Universidade Metodista de São Paulo.
Na área de handebol para cadeirantes foram
identificadas iniciativas isoladas das Prefeituras de Santos, São Sebastião e
Jundiaí no Estado de São Paulo, no Estado do Rio de Janeiro por parte da
Prefeitura da Capital e do Centro Educacional Santa Mônica, na Bahia através do
Núcleo de Educação Física e Esporte Adaptado de Feira de Santana e na Sociedade
Hípica de Campinas/SP.
Em âmbito internacional a pesquisa permitiu
identificar que existem adaptações do Handebol para surdos e deficientes
mentais com a modalidade fazendo parte dos Deaflympics (olimpíadas dos surdos)
e das Special Olympics (olimpíadas especiais) onde o handebol é disputado em
três formatos diferenciados.
Na Olimpíada para DA – deficientes auditivos realizada
em Melbourne/Austrália em janeiro de 2005 cinco seleções masculinas disputaram a medalha de ouro. Na primeira
fase as cinco seleções jogaram entre si em turno único e a classificação final
determinou os jogos das semifinais (www.deaflympics.com,
2005).
A Croácia que terminou a fase de classificação em
primeiro lugar venceu a Dinamarca (4ª colocada) por 30x22, enquanto que os EUA
(3º) surpreenderam a Alemanha (2ª) por 24x22. Na disputa da medalha de bronze a
Alemanha venceu a Dinamarca por 26x20 e a Croácia conquistou a medalha de ouro
ao ganhar dos EUA (prata) por 43x26 (www.deaflympics.com,
2005).
O que chama a atenção no Handebol disputado por DA é a
utilização das mesmas regras da IHF, facilitando a integração e desenvolvimento
motor do DA.
Já nas Olimpíadas Especiais algumas adaptações são
necessárias. Inicialmente todos devem passar por uma bateria de testes
classificatórios que incluem quatro provas: Tiro ao Alvo; Velocidade de passe; Drible
e Força de Arremesso. Todos os jogadores fazem o teste e o escore da equipe é
determinado pela soma dos 7 melhores resultados divididos por sete. (www.specialolympics.org, 2005)
As competições são disputados em quatro situações
diferenciadas:
a) equipes de handebol utilizando os mesmos 7 jogadores
do handebol normal, com a possibilidade de 5 reservas.
b) Equipes com 5 jogadores e 4 reservas
c) Equipes mistas com 4 DM e 3 normais
d) Provas individuais para atletas que não tem condição
de participar das competições de equipes, compostas por três provas: passe com
alvo, drible em dez metros e arremesso. (www.specialolympics.org, 2005)
Porém a bibliografia que serviu de base para o
desenvolvimento deste estudo foi um artigo publicado pela acadêmica Daniela
Eiko Itani, sob a orientação dos professores doutores Paulo Ferreira de Araújo
e José Julio Gavião em que a acadêmica apresenta as condições em que se
desenvolveu a prática do handebol para cadeirantes na UNICAMP.
Ao adaptar as regras às condições dos deficientes
ITANI (2004) relaciona entre as principais dificuldades encontradas pelos
praticantes o tamanho da quadra e a quantidade de jogadores, que sofria grande
variação, impedindo a prática do jogo com sete jogadores. Uma dúvida que não
fica esclarecida em seu artigo diz respeito aos impulsos na cadeira que,
levando em consideração que poderiam ser dados três impulsos, proporcionaria um
grande deslocamento para o jogador. Estas informações foram destacadas porque
vão ser fundamentais no desenvolvimento da proposta a ser implantada no Projeto
AMA – Atividade Motora Adaptada, desenvolvido pela Universidade Paranaense em
Toledo/PR.
DISCUSSÃO
DOS RESULTADOS:
A construção desta proposta leva em consideração que o
interesse é desenvolver regras que permitam a prática do handebol adaptado em
todo o território nacional e, se possível, até internacionalmente. Para tanto
será trabalhadas duas forma distintas de organização do jogo:
a) Uma que se aproxima do Handebol de Salão (CBHB,
2005), jogada com sete jogadores e utiliza a quadra oficial; e
b) Outra que busca identificar-se com o Handebol de
Areia/Praia (CBHB, 2005) e utiliza a quadra de basquete como espaço de jogo.
HCR7 ou HAND-BALL SEVEN:
O jogo será disputado por duas equipes com sete
jogadores cada e igual número de reservas, utilizando a quadra oficial de
handebol para a disputa dos jogos, respeitada a medida mínima para sua prática
(Máx.=40x20m. Mín=36x18m.)
Aos competidores não será permitido deslocar-se com a
bola nas mãos, exceto se ao recebê-la já estiver em movimento e não realizar
novo impulso. O jogador que quiser se movimentar com a posse da bola pode se
utilizar do drible para tanto.
Os contratos frontais são tolerados desde que não
impliquem em ação desleal, Contatos laterais e por trás devem ser severamente
punidos, como no handebol de salão. O jogador que está em posse da bola não
poderá sofre carga antes de passar ou arremessar a bola, tendo para tanto três
segundos, após o que perde a posse da bola.
A área do goleiro permanece restrita aos jogadores de
quadra, podendo este sair dela e participar do jogo, sendo considerado um
jogador comum como os demais. Após o arremesso o atacante pode entrar no espaço
da área desde que tenha soltado a bola antes de penetrar este espaço e não
utilize este movimento para levar vantagem em relação ao adversário.
A trave terá sua altura reduzida para dois metros,
mantida a largura de dois metros de forma a facilitar a ação ofensiva. A
possibilidade de rodízio entre os atletas que exercem a função de goleiro sofre
uma adaptação especial: qualquer atleta em qualquer momento do jogo pode atuar
como goleiro, não sendo permitida a presença de dois jogadores da equipe
defensora na área do goleiro. Isto implica que o atleta que retornar primeiro à
área do goleiro pode atuar na função. Esta rotatividade pode dar maior
mobilidade aos jogadores e facilitar a ação ofensiva. A infração a esta
condição (dois defensores na área, por exemplo, deve ser punida com um tiro de
7 metros – pênalti). Portanto os goleiros jogam com o mesmo uniforme dos demais
componentes da equipe.
Os jogos serão disputados em dois tempos de 30´
(trinta minutos) cada com 10´ (dez minutos de intervalo). As substituições
devem acontecer da mesma forma que no handebol de salão: o jogador que está em
quadra deve sair pela zona de substituição para que o jogador que está fora
possa entrar pela mesma zona de substituição.
Cada treinador poderá solicitar um tempo técnico em
cada tempo de jogo.
As punições também observam as mesmas regras do
handebol de salão: advertência – cartão amarelo (limite de três por equipe),
exclusão – dois minutos (limite de três por atleta) e desqualificação – cartão
vermelho.
HCR4 ou HANDBAL FOUR
:
A partida será disputada por duas equipes de quatro
atletas cada, com igual número de reservas, sendo três jogadores de linha e um
goleiro (o jogador que estiver dentro da área do goleiro por primeiro).
A quadra de jogo será delimitada pela quadra de
basquete, com a área do goleiro sendo definida pelo prolongamento da linha de
lance livre até a linha lateral, devendo ultrapassá-la em um metro, pois a
mesma também identificará a zona de substituição, que ficará restrita à área do
goleiro, observadas as disposições da regra oficial do handebol de salão.
Considerando o menor número de jogadores o tempo de
jogo será reduzido a dois sets de 15´(quinze minutos) com intervalo de 5´
(cinco minutos). Ao final do set o placar volta a zero e o jogo é reiniciado
como no voleibol. Em caso de empate um tempo extra de 10´ (dez minutos) será
disputado para definir o vencedor do jogo.
Em caso de empate no set o mesmo será decidido através
do gol de ouro (golden gol) não devendo o cronometrista finalizar o set até que
o gol seja consignado, mesmo no tempo extra. O final do tempo de jogo deve ser
sinalizado por uma bandeira quadriculada a ser apresentada pelo cronometrista,
caso não haja placar eletrônico nas instalações de jogo.
As normas para as cadeiras observarão as mesmas do
basquete sobre rodas a fim de facilitar o acesso dos praticantes ao material.
Posteriormente estudos podem ser realizados para avaliar se as adaptações são
adequadas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Parte-se do pressuposto que ambas as formas de jogar o
handebol sobre rodas são motivantes, sendo determinante para o desenvolvimento
de uma ou outra a quantidade de portadores de necessidades especiais que
participem do desenvolvimento da modalidade.
A utilização de uma trave com pouca adaptação tem por
objetivo ampliar a conquista do sucesso com a facilitação do gol e minimização
do fracasso com a possibilidade de rodízio dos goleiros, o que também inibe a
especialização exacerbada de funções, obrigando todos os jogadores a atacarem e
defenderem. As disposições referentes às cadeiras de rodas a serem utilizadas
seguirão as normas do Basquete em Cadeira de Rodas (CBB, 2005), até que novos
estudos possam ser realizados para a certificação desta adequação.
Outra ação que será desenvolvida ainda no primeiro
semestre de 2005 é a criação de uma classificação dos jogadores de forma a
permitir que os jogos sejam disputados por equipes em igualdade de condições.
Portanto quando da apresentação do trabalho no evento
já pretendemos estar com regras oficiais fundamentadas em avaliações práticas
científicas que serão realizadas durante a implantação da modalidade em
Toledo-Paraná-Brasil.
Referências Bibliográficas:
Confederação
Brasileira de Handebol, Regras Oficiais.
Disponível
em <www.brasilhandebol.com.br
> Acessado em 25/03/2005.
Confederação
Brasileira de Basketball, Regras
Oficiais.
Disponível
em <www.cbb.com.br >. Acessado em
25/03/2005.
ITANI, Daniela Eiko, DE
ARAUJO, Paulo Ferreira; ALMEIDA, Jose Julio Gaviao de; Esporte adaptado
construido a partir das Possibilidades: Handebol Adaptado. 05/2004, Revista
Digital - Efdesportes,Vol. 1, Fac. 72, pp.1-12, Buenos Aires, Argentina,
2004. Disponível em <http://www.efdeportes.com/efd72/handebol.htm
>. Acessado em 10/03/2005.
Deaflympics, Melbourne 2005 - 20th Deaflympics Games.
Disponível
em <www.deaflympics.com >.
Acessado em 25/03/2005.